Ajuda, Uma colina cheia de surpresas
Quando entramos em Lisboa pela Ponte 25 de Abril, pela esquerda salta à vista o bairro da Ajuda, que se estende até ao parque de Monsanto. Este bairro tem um património rico e variado fruto das muitas gerações que por lá passaram.
No centro e na zona mais elevada, foi construído o Palácio Nacional da Ajuda. Um palácio majestoso, que foi outrora uma “Real Barraca”, alojamento da Família Real depois do Terramoto de 1755 que destruiu o centro da cidade. Este palácio é um monumento nacional, com reconstituição da residência real. Junto ao palácio, e com vista para a belíssima Calçada da Ajuda, existe o Jardim Botânico, o mais antigo de Portugal. Aqui pode descobrir uma árvore com 400 anos, e pode desfrutar de uma vista magnífica com pano de fundo o rio Tejo, a Ponte 25 de Abril e o Cristo Rei.
Depois, todo o bairro se desenrola à volta, em ruas estreitas e inclinadas, num sobe e desce constante. Um emaranhado de ruas que vale a pena vir descobrir, um autêntico labirinto. Aqui moram famílias e estudantes estrangeiros que frequentam as faculdades do alto da Ajuda. Um bairro calmo, maioritariamente habitacional, e com algum comércio local. Uma zona muito tranquila para se viver, a pouca distância da margem do rio.
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É um prazer visitar o bairro da Ajuda, onde somos bem recebidos pelos moradores. A gente do bairro gosta de meter conversa e falar dos seus “problemas”. Só os mais envergonhados é que não querem responder. Muitos dizem que é um bairro velho mas descobrimos muito mais do que isso:
Uma das maravilhas desta zona é a vista sobre o rio Tejo. Em diversos espaços e ruas do bairro, assim como em muitas casas, pode apreciar uma magnifica vista sobre Lisboa e o rio. Não só vê o estuário do Tejo como está perto, podendo aproveitar a zona ribeirinha para passear e respirar. Muita gente escolhe o bairro tendo em conta isso como factor determinante.
Para o lado oposto, em cima, encontramos o Parque de Monsanto. O maior pulmão da cidade encontra-se mesmo ali ao lado, o local ideal para respirar ar fresco dentro da cidade, passear e praticar desporto.
É um bairro calmo. Para isso ajuda o facto de que não existem grandes superfícies comerciais, metro, cinemas, teatros ou vida noturna. Não há dificuldade de estacionamento. É uma zona pacata e bairrista, que permite um refúgio da agitação da cidade.
Tudo o que é necessário para viver de uma forma agradável existe na forma de comércio de proximidade: mercados, farmácias, cafés, padarias, correios, escolas. Tudo fica perto. Falta um metro, mas chega-se rápido a todo o lado.
Desde 2006 que existe o Mercado da Ajuda, cujo responsável garante ser “o mercado mais barato em Lisboa”. Com produtos frescos diariamente, não é por acaso que até diversos restaurantes de várias zonas de Lisboa vêm aqui abastecer-se.
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É o bairro mais bonito que há.
Maria Augusta Almeida, 73 anos
É um bairro bonito porque tem monumentos maravilhosos, como o Palácio Nacional da Ajuda, o Jardim Botânico, a Igreja da Memória e a vista em todos estes sítios.
Quem cá mora confirma que é bom viver na Ajuda!
Descobrimos um bairro muito acolhedor. Um bairro constituído em grande parte por gente que cá mora há muitos anos, e pelos seus filhos e netos. É um bairro habitado maioritariamente por pessoas de de uma faixa etária doa 70 aos 80 anos, ainda predominantemente ex-operários, de uma classe média baixa.
Os moradores conhecem-se todos muito bem. Vizinhos e comerciantes são todos amigos. Grande parte deles gosta de fazer a vida sempre dentro dos mesmos círculos. É confortável conhecer que sejam sempre os mesmos. Mesmo aqueles que saíram e criaram família noutros lugares, voltam sempre ao lugar onde passaram a sua infância, pelo qual ainda mantêm um sentimento especial.
Mas nos últimos anos este cenário tem-se vindo a alterar. Já há gente nova. Gente na casa dos 30 anos e casais com filhos. Vêm pelas características que o bairro oferece, mas também porque há casas antigas que estão a ser recuperadas. Já há pessoas conhecidas a viver no bairro, desde artistas a figuras publicas.
A zona do Bairro Pombalino, em especial, atrai novos moradores, que escolhem morar perto de Belém, com a mais valia da vista da Ajuda. Aqui nota-se um número superior de casas renovadas e em obras.
Esta nova onda de moradores está a crescer e há potencial para albergar mais gente jovem. O local pode-se tornar cada vez mais um local interessante, porque se encontra muito perto do rio e tem interesse a nível histórico com o Palácio Nacional da Ajuda e com o Jardim Botânico, entre outros.
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Aqui está mudando, para melhor!
Cassiana Rodrigues, 49 anos
No bairro da Ajuda encontramos 3 zonas principais:
A Calçada da Ajuda é a zona de maior comércio e a mais conhecida pela população lisboeta em geral. Íngreme e virada para rio, a calçada tem uma vista privilegiada. No topo aparece imponente o Palácio da Ajuda. Logo em baixo está o Jardim Botânico. Dois importantes monumentos da história e arquitetura de Lisboa. Ambos merecem uma visita!
Nas ruas paralelas, na direção de Belém, encontra-se o Bairro Pombalino. Um bairro muito antigo e muito característico, que foi recentemente requalificado. Desde há alguns anos que aqui se vêm muitas casas a serem renovadas, algo que se traduziu num aumento significativo de novos moradores. A procura é enorme.
A zona de maior movimento é a Boa-Hora, devido ao mercado que acontece durante a manhã. Construído em 2006, este moderno mercado, um dos mais baratos de Lisboa, envolveu alguns dos antigos vendedores de rua. Aqui vende-se peixe, hortaliças e frutas e artigos de vestuário diversos, predominantemente por pessoas provenientes da Ajuda. E muitos são os que vêm de toda a Lisboa para aqui se abastecerem.
A terceira zona, e a mais recente, é o Polo Universitário da Ajuda. As três faculdades que aqui foram construídas aproveitaram um espaço amplo e verde e foram capazes de atrair muitos estudantes ao longo dos anos. Tem uma localização excepcional, junto ao Parque de Monsanto, e o que alguns referem como “um dos melhores pôr-do-sol de Lisboa”, devido ao plano elevado em que se encontra.
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Isso é uma maravilha, o rio Tejo.
Mariana Alves
É comum ouvirmos que o bairro não tem segredos, mas há sempre alguém mais conhecedor que desvenda algumas curiosidades:
É muito fácil falar com os antigos habitantes do bairro. São pessoas muito amigas, que se entreajudam e gostam de participar para melhorar a comunidade. Por vezes sentem que os novos moradores podem não ser tão “dados” como eles e sentem que se perde um pouco esse sentido de comunidade. Ainda mantém a tradição dos arraiais, que alguns dizem ser o maior segredo do bairro!
Poucas pessoas no bairro sabem que o Mercado da Ajuda tem um terraço com uma vista privilegiada sobre o rio Tejo, que vai desde a ponte 25 Abril ao forte do Bugil.
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Para mim a melhor parte, e que fez a diferença foi ter encontrado um local onde podia apreciar a vista sobre Lisboa que era para mim um factor determinante.
Isabel Silva, 29 anos
Falando um pouco mais de História:
Conta a lenda que um pastor passando no local teve uma aparição da Virgem Maria. A notícia espalhou-se e logo vieram crentes que aí se instalaram. Foi construída a Ermida de Nossa Senhora da Ajuda para adoração da Virgem, o que levou também à construção de casas e barracas. O pequeno santuário depressa deu lugar a uma igreja maior. O número de peregrinos crescia todos os anos. Mesmo os mais altos membro da sociedade prestavam devoção à Nossa Senhora da Ajuda. Exemplo disso era D. Catarina, mulher de D. João III. A nobreza tentava fixar-se no local para melhor prestar culto à Virgem, tornando a Ajuda uma zona de habitação de gente abastada.
Marquês de Pombal morou no atual edifico da Junta de Freguesia da Ajuda, logo após o terramoto de 1755. E de aí foi decidido todo o destino de Lisboa depois do terramoto.
Em 1768, o Marquês de Pombal instaurou na Horta da Quinta de Cima o Jardim Botânico, que se pretendia como o Jardim do Palácio da Ajuda, mas acabou por nunca o ser. A Real Barraca, que outrora tinha sido a residência da família real, foi substituída por um enorme palácio - o Palácio Nacional da Ajuda. As obras tiveram início 1795, mas tiveram de ser interrompidas devido às Invasões Francesas, que obrigaram a família real a fugir para o Brasil. Foi terminado em meados do séc. XIX, tendo sido a residência do rei D. Carlos.